Pesquisa eleitoral: Brasileiro vive dilema para a eleição de 2018

por Jussara Soares

Segundo analistas, eleitor vai se decidir por aquele que lhe traga alguma vantagem


O brasileiro vive um dilema para a eleição presidencial de 2018. Ao mesmo tempo em que deseja votar num candidato a presidente livre dos escândalos de corrupção, se vê diante de um cardápio de políticos que não lhe parece imune aos atos ilícitos. Ao partir do pressuposto de que todos, em maior ou menor grau, têm manchas de improbidade em sua biografia, o eleitor acabará se decidindo por aquele que lhe traga alguma vantagem pessoal, uma vida mais próspera ou mesmo o que pareça “menos pior.”

Pelo menos é essa a leitura do resultado da mais recente pesquisa Datafolha feita por analistas políticos, que avaliam as contradições expostas pelos índices de popularidade dos pré-candidatos. No mesmo levantamento em que 87% dos entrevistados afirmam querer escolher um presidente que nunca tenha se envolvido em casos de corrupção, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) surge como líder absoluto na corrida eleitoral.

Nas simulações de primeiro turno, o petista desponta à frente com piso de intenções de voto de 35%, enquanto que no segundo turno vence contra todos os adversários. Tudo isso apesar das recentes declarações do ex-ministro Antonio Palloci, que o acusou de “sucumbir ao pior da política”, e da condenação a nove anos por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá.

— Como parece que todos estão envolvidos em escândalos de corrupção, aumenta a rejeição à classe política como um todo. Então, na hora de se decidir, o eleitor acaba escolhendo aquele que provoca as melhores lembranças — diz o diretor do Datafolha, Mauro Paulino.

Nesse aspecto, segundo especialistas, Lula acaba levando a melhor porque ainda estão vivos na memória dos brasileiros os oito anos de seu governo (2003-2010), com crescimento econômico e melhora da vida da população. Isso tem um impacto positivo principalmente das classes econômicas mais baixas, onde o ex-presidente tem maior aceitação e onde se decide a eleição.

— Essa conta (de querer um político sem corrupção e Lula à frente das pesquisas) não fecha. Lula tem essa intenção de votos altíssima, devido ao êxito do período dele para boa parte da população — diz o cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marco Antônio Teixeira.

A força de Lula demonstrada na pesquisa também pode ser atribuída ao intenso noticiário de corrupção no governo Michel Temer (PMDB), cuja aprovação caiu para 5%. Para o cientista político Humberto Dantas, o PSBD também tem sua parcela de contribuição ao sofrer um desgaste com o senador Aécio Neves e, mesmo assim, mantê-lo no partido.

— Diante desses cenários, o brasileiro, dotado de uma inocência absurda, levará sua decisão baseada no passado, do “eu era feliz e sabia” — diz Dantas.


Fonte: O GLOBO

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