Eleições 2018

Com pré-candidatos já na rua, o marketing começa a dar as caras na disputa presidencial.  De imagens fabricadas a discursos mirando públicos específicos, os marqueteiros parecem já estar à toda em busca da fórmula mágica para conquistar o eleitor.

O atual líder nas pesquisas, deputado Jair Bolsonaro (PSL), vem tentando impor seu jeito, aparentemente intuitivo, de agir publicamente. Cercado de ruralistas esta semana, falou de armas. Como quem quer prometer um programa “bolsa fuzil”,
defendeu a ideia de ver cada fazendeiro do país afora armado para enfrentar o MST. Prefere aderir ao discurso da pólvora para incendiar, nas redes sociais, os ânimos já acirrados pela eleição presidencial.

Lá embaixo nas pesquisas, em busca de um lugar no segundo turno, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), vestiu chapéu de roceiro e, no lugar de arma, prometeu tratores. Um dia depois, subiu um grau e defendeu o direito de o setor rural ter porte de armamento. Mas o tucano continua querendo vender a imagem de conservador, pero no mucho, na tentativa de convencer que é a solução ideal para enfrentar o mercurial Bolsonaro.

O presidente Michel Temer (MDB), que prefere não se assumir como candidato, embora diga estar “meditando” sobre o tema, também deu mostras de que quer reinventar sua imagem. Arriscou-se no Twitter do Planalto ao lado de uma aparente youtuber oficial. Falou de quê? Das medidas que pretende adotar até o fim da gestão? Não. Foi dizer que, nas horas vagas, assiste a séries. Entre as prediletas, a espanhola “La Casa de Papel”, que conta a história de uma tentativa de assalto à fábrica de dinheiro do governo da Espanha. Nas redes sociais, a tentativa de rejuvenescimento da imagem do presidente virou piada. Como já tinha acontecido com o slogan mal posto de que, em seu governo, o Brasil voltou 20 anos em dois.

Já o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que pende para os partidos de oposição e tenta assumir o espólio do ex-presidente Lula, anda flertando com o centro. Estaria também interessado em mostrar-se não tão à esquerda.

Ainda é cedo para saber se os experimentos de construção e reconstrução da imagem dos presidenciáveis vão vingar. Como estamos só no começo da disputa, os gênios da marquetagem têm tempo de fazer alguns testes. Se não der certo, ainda dá para voltar à prancha de projeto e corrigir a maquiagem do candidato.

P de partido
As legendas resolveram mesmo riscar a letra P do mapa eleitoral. Esta semana, o partido do presidente Michel Temer conseguiu o atestado oficial do Tribunal Superior Eleitoral para mudar de nome. Sai PMDB, volta o antigo MDB . Mais um movimento que indica que as instituições tradicionais da política não andam agradando o gosto popular. Depois da nova sigla do partido de Temer, temos na fila do TSE o Partido Social Democrata Cristão (PSDC), que quer ser Democracia Cristã (DC); o Partido Ecológico Nacional (PEN), que quer mudar para Patriota; e o Partido Progressista (PP), para apenas Progressistas. Já rebatizados desde o ano passado, o Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB) virou Avante e o Partido Trabalhista Nacional (PTN) se transformou no Podemos.

Francisco Leali, coordenador da sucursal de Brasília

fonte: o globo

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