Eleições 2018

As próximas duas semanas serão cruciais na definição das alianças para as eleições presidenciais. Esta semana, Geraldo Alckmin teve um alongado jantar com os presidentes do PP, DEM, PRB e SD, que tentam negociar em bloco seu apoio a um só nome. Hoje, Alckmin já conta com apoio do PSD, PTB, PPS e PV, o que lhe garante cerca de 20% do horário eleitoral gratuito de rádio e TV. Se conseguisse o apoio do bloco, o tucano quase dobraria esse tempo.

No entanto, há na cúpula desses partidos muitas dúvidas sobre a viabilidade eleitoral do ex-governador paulista. Apesar do tamanho de sua estrutura partidária, esses dirigentes acham que o eleitorado busca personagens mais agressivos, como Jair Bolsonaro e Ciro Gomes, e temem que o tucano sequer chegue ao segundo turno - ou, caso chegue, que seja derrotado por um nome de esquerda.

Se Alckmin desperta desconfianças em relação à perspectiva de vitória, Ciro Gomes, que é a outra alternativa do grupo, levanta outra dúvida: se ganhar, dará ouvidos (além de cargos, é claro) aos aliados? A desconfiança se acentua a cada declaração do pedetista atacando as reformas de Michel Temer, como fez esta semana em evento da CNI no qual qualificou a reforma trabalhista como “uma selvageria”.

Uma hipótese real hoje é que os quatro partidos se dividam. Integrantes do grupo afirmam que o PRB estaria mais próximo de Alckmin, assim como o SD estaria em negociações mais avançadas com Ciro. No DEM, apesar de Rodrigo Maia e ACM Neto flertarem com Ciro, a maior parte da legenda prefere Alckmin. Já no PP, o presidente Ciro Nogueira vem sinalizando ser mais favorável a uma aliança com Ciro.

PT joga parado
Enquanto os adversários aceleram as negociações, o PT continua jogando parado. Com Lula liderando todas as pesquisas e com grande capacidade de transferir votos, os petistas só pretendem se mover quando a Justiça oficialmente impedir que a legenda exiba propaganda do ex-presidente – uma vez que ele está inelegível.

Se por um lado isso impede que os prováveis substitutos – Jaques Wagner e Fernando Haddad – cresçam nas pesquisas, por outro lado os protege das críticas e da necessidade de se posicionarem sobre temas sensíveis.

Informações de O GLOBO

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