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PCdoB desiste de candidatura presidencial e faz acordo com PT

Publicado em 06/08/2018 - 01:36

Por Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil

O PCdoB desistiu da candidatura própria à Presidência da República, com a deputada estadual do Rio Grande do Sul,Manuela D’Ávila, para se coligar ao PT nas eleições deste ano.

Na última quarta-feira (1º), a deputada chegou a ser confirmada pelo  partido como candidata à Presidência da República. No final da convenção, entretanto, ela já havia adiantado que abriria mão de disputar o carto caso houvesse unidade de outros partidos da esquerda que pretendessem concorrer ao pleito.

Nas negociações feitas neste domingo (5) com o PT, ficou acordado que Manuela irá viajar o país junto com o candidato Fernando Haddad, escolhido para vice na chapa petista, para fazer campanha em nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aclamado no sábado como candidato.

Segundo a presidente do PCdoB, Luciana Santos, a decisão do partido foi tomada em nome da unidade. “Manuela disse que nunca foi óbice a qualquer tipo de unidade política. Nós estamos construindo a unidade política que foi possível construir no primeiro turno, com a participação e liderança de Lula. Isso por uma circunstância objetiva, até que se definam as pendências legais”, destacou Luciana.

A presidente do PT, Gleisi Hoffman, disse que a decisão de escolher um candidato a vice-presidente do próprio partido foi para garantir que a representação de Lula seja feita por um de seus membros. “[Isso foi decidido] na avaliação que fizemos para assegurar a manifestação do presidente Lula. E vamos com a candidatura de Lula até as últimas consequências: a vocalização de sua campanha será feita com um companheiro do PT”, afirmou.

Edição: Nádia Franco

 

O plano do PT e um general na chapa do capitão

No fim de semana das últimas convenções, os partidos confirmaram seus candidatos à Presidência. E o eleitor conheceu, finalmente, os vices.

Para tentar manter de pé o discurso de que o PT não trabalha com um plano B, o partido adotou o discurso de que o ex-prefeito Fernando Haddad será vice da chapa somente “até a regularização da situação judicial” do ex-presidente Lula. Enquanto isso, vai “vocalizar” a candidatura petista. O plano é que, futuramente, Manuela D’Ávila (PCdoB) ocupe o posto de vice de Lula.

O capitão Jair Bolsonaro (PSL) anunciou o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), que já defendeu intervenção militar, como vice na sua chapa. O pedetista Ciro Gomes terá a ruralista Kátia Abreu, também do PDT, de companheira numa chapa “puro-sangue”.

Para tentar entender a salada das candidaturas, o chef Felipe Bronze elencou que prato seria cada um dos presidenciáveis.

Informações de O GLOBO

 

A esquerda em fragmentos

Por Maia Menezes, editora de País

Até aqui, a posição irredutível do PT em torno do nome do ex-presidente Lula, preso pela Lava-Jato em Curitiba, surtiu ao menos um efeito sobre a fase pré-eleitoral: a esquerda fragmentou-se como há muito não se via. Em
reunião ontem, as principais legendas do espectro, entre elas o PSB e o PCdoB, desistiram de uma possível união em torno da candidatura de Ciro Gomes (PDT), que primeiro apostava no apoio do Centrão. E agora se vê, como seu adversário Jair Bolsonaro (PSL), isolado, só que em polo oposto.

O PCdoB lança hoje o nome de Manuela D’Ávila ao Planalto. ​A pulverização se repete nos estados, onde a esquerda também segue dividida, como mostra o mapa publicado hoje pelo GLOBO.

Bolsonaro, a escravidão e a performance no Roda Viva

Historiadores ouvidos pelo GLOBO contestam a versão dada pelo presidenciável Jair Bolsonaro sobre a escravidão, no programa Roda Viva, anteontem. Mas o desempenho do deputado federal, sem entrar no mérito de suas posições, indicou que ele se preparou para o escrutínio dos jornalistas.

Enquanto a presidenciável da Rede, Marina Silva, conversa com Eduardo Jorge (PV) para que ocupe o posto de vice em sua chapa, Geraldo Alckmin (PSDB) segue em busca de um nome. Os vices, aliás, se tornaram um das grandes incógnitas da eleição presidencial este ano.

Informações de O GLOBO

 

Por que está tão difícil encontrar um vice?

Por LETÍCIA SANDER, DIRETORA DA SUCURSAL DE SÃO PAULO

Primeiro foi a novela das alianças, com o centrão ora flertando com Ciro Gomes (PDT), ora com Geraldo Alckmin (PSDB), para finalmente anunciar o apoio ao tucano. Agora é a vaga de vice que gera desgaste para os presidenciáveis.

A duas semanas do fim do prazo para registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os principais presidenciáveis continuam sem ter vice definido. O cenário pulverizado, com cinco
candidaturas competitivas, contribui para a indefinição das chapas.

Como comparação: na última eleição para presidente, em 2014, Aécio Neves anunciou Aloysio Nunes como seu vice em 30 de junho; Marina
Silva foi confirmada vice de Eduardo Campos em 14 de abril.

Reportagem do GLOBO desta terça-feira informa que mais nomes engrossaram a lista das recusas. A senadora Ana Amélia (PP-RS) e o ex-deputado federal Aldo Rebelo (Solidariedade-SP) disseram “não” a Alckmin. O candidato do PSDB já havia ouvido negativa de Josué Gomes, filho de José Alencar. A mesma frustração viveu Marina Silva (Rede), que tentou atrair o ator Marcos Palmeira e não conseguiu.

Jair Bolsonaro (PSL) é o campeão de derrotas no quesito vice. Ele já cogitou o senador Magno Malta, o general da reserva Augusto Heleno, o também general Antonio Mourão, a advogada Janaína Paschoal, o astronauta Marcos Pontes e o príncipe Luiz Philippe de Orléans e Bragança. E não tem chapa formada até agora.

Isolamento

Em entrevista na segunda-feira à noite ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, Jair Bolsonaro afirmou não ter um “plano B” caso o economista Paulo Guedes não possa fazer parte de um eventual governo dele. Detalhe: o candidato já admitiu não ter qualquer domínio do tema.

Informações de O GLOBO

 

Parlamentares se preparam para esforço concentrado após convenções

Recesso parlamentar termina oficialmente nesta quarta-feira

Oficialmente o recesso parlamentar termina nesta quarta-feira (1°), mas, na prática, os corredores da Câmara e do Senado devem continuar esvaziados até a semana que vem. É que no próximo fim de semana, pelo menos 11 partidos políticos, entre eles os maiores, como PSDB, PT e DEM vão realizar suas convenções nacionais.

Segundo o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), em agosto, a ideia é fazer duas semanas de esforço concentrado para a votação de matérias. A primeira seria logo após as convenções nos dias 7 e 8 de agosto. Depois disso, nos dias 28 e 29, senadores e deputados dariam uma pausa nas articulações de campanha em seus estados para voltar ao Congresso. Em setembro também haverá uma semana de votação, mas a data ainda não foi fechada entre Eunício e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Também não está definida a pauta do semestre com os líderes partidários, mas segundo Eunício a ideia é priorizar pautas leves. “O povo está cansado de pautas pesadas. Vamos falar de coisas boas”, disse à Agência Brasil.

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PTB, PSD e Solidariedade anunciam apoio a Alckmin nas eleições presidenciais

O PTB confirmou apoio ao pré-candidato do PSDB para a presidência da República, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin.

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, defendeu o nome do tucano para retomar a política econômica do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e fazer as reformas Política, Tributária e da Previdência.

Alckmin também defendeu as reformas.

O Solidariedade também fez convenção nacional e confirmou apoio a Alckmin.

Aldo Rebelo, que foi membro do PC do B por 40 anos e está no Solidariedade,  é um dos cotados a vice. Disse que só aceita participar da chapa após conversar com Alckmin sobre a necessidade de redução das desigualdades na agenda do ex-governador.

O nome do ex-governador de São Paulo recebeu, ainda, o apoio do PSD. Em convenção, a legenda descartou a candidatura do ex-ministro e ex-presidente do Sebrae Guilherme Afif Domingos.

Outro partido que realizou convenção no fim de semana foi o Partido Verde, que decidiu que não lançar candidato à Presidência da República. O partido também não se definiu sobre o convite feito pela Rede, para indicar o candidato a vice na chapa que deverá ser encabeçada por Marina Silva.

Até agora, seis candidatos buscam ser o próximo ou a próxima presidente da República:  Ciro Gomes, do PDT, Guilherme Boulos, do PSOL, Jair Bolsonaro, do PSL, Paulo Rabello de Castro, do PSC, Vera Lúcia, do PSTU e Eymael, do Democracia Cristã.

Fonte: Agencia Brasil

 

Eleições 2018

De Paulo celso pereira, diretor da sucursal em brasília

O cálculo do tempo de TV dos candidatos ainda está longe de fechar, uma vez que nove partidos não decidiram até agora o que fazer, mas a
diferença entre Geraldo Alckmin e seus rivais já é oceânica. Confirmada a aliança de dez partidos anunciada ontem, o tucano paulista monopolizará mais de cinco dos doze minutos e meio de cada bloco do horário eleitoral gratuito.

Além disso, contará diariamente com pelo menos 11 spots publicitários de 30 segundos - que são considerados ainda mais importantes pelos publicitários por surpreenderem o telespectador no meio da programação das emissoras.

Para efeito de comparação, confirmado o cenário atual, a exposição tucana será 40 vezes maior do que a de Jair Bolsonaro. Até o momento, o capitão da reserva não conseguiu fechar qualquer aliança e pode ter como vice o astronauta Marcos Pontes, seu correligionário. Isso daria ao presidenciável do PSL apenas um spot de propaganda a cada quatro dias - e seis segundos no bloco regular de propaganda eleitoral. É pouco até para repetir um bordão no estilo ”Meu nome é Enéas!”.

O risco de “desaparecer” na propaganda eleitoral também assombra a campanha de Marina Silva. Igualmente isolada dos demais partidos, a ex-senadora teria, neste momento, 8 segundos no bloco de propaganda e um spot de publicidade a cada três dias.

É justamente por conta do tempo de TV que o PSB é a última grande noiva da eleição, e vem sendo intensamente cortejado por PT e PDT. O partido dará cerca de 50 segundos, no horário eleitoral, para o candidato que apoiar.

Ciente de que precisará “apresentar” à população o nome que escolher para substituir Lula nas urnas - já que a lei da Ficha Limpa o impede de ser candidato -, o PT luta para montar uma aliança que amplie seu tempo inicial, de 1 minuto e 45 segundos por bloco e quatro spots por dia. Mas, para os petistas, tão importante quanto aumentar o próprio tempo, é impedir que Ciro Gomes, que disputa com eles o campo da esquerda, consiga saltar dos atuais 35 segundos por bloco - e um spot por dia.

Informações de O GLOBO

 

A construção da imagem dos presidenciáveis

De francisco leali, coordenador na sucursal de O globo em Brasília

O candidato que vai se apresentar a você na campanha eleitoral é ele mesmo? Reza a lenda no mundo da marquetagem que, alguns mais outros menos, os pretendentes ao cargo de presidente da República precisam passar por uma maquiagem. A versão 2018 dos presidenciáveis já começa a ser esboçada. Líder nas pesquisas, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) ainda é exposto sem retoques: está à direita, e reafirma isso em cada material que expõe ao público. Ele se diz independente de tudo, mas
seu partido está no topo da lista de votos seguindo as orientações do governo de Michel Temer e ainda cortejou o apoio do centrão na campanha.

A imagem vendida de Marina Silva (Rede) também não parece ter mudado muito. Como anuncia sua propaganda: tem origem humilde, foi premiada no exterior pela luta ambiental e virou ministra. O vídeo que postou nas redes sociais só evita dizer que o cargo no Executivo foi na gestão de Lula.

Ciro Gomes (PDT) apagou a tentativa de apoio do centrão. Guinou à esquerda, e prometeu soltar o ex-presidente Lula se for eleito. Seu material de campanha não conta que ele já foi do PDS, do MDB e também do PSDB.

Depois de ataques a Bolsonaro, a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) nas redes sociais apela para a experiência administrativa do tucano. Num vídeo, o recado parece ir para quem já escolheu outra opção: “Seu candidato está preparado? Geraldo Alckmin, preparado para o Brasil”. E nenhuma palavra sobre o fato de o centrão, que hoje fecha formalmente o apoio ao tucano, ter sido do mensalão petista.

É dando que se recebe

O centrão anunciou que oficialmente vai com Alckmin. Resta saber os limites do apoio ao tucano. Vale a lembrança do colunista Merval Pereira. Na origem, o grupo foi constituindo sob o lema do “é dando que se recebe”. A apropriação da máxima franciscana pelo mundo político escondia objetivos aparentemente mais pecaminosos do que abnegados.

Informações de O GLOBO

 

O voto nordestino ou a falta dele

Há exatos 12 anos, no 26 de julho, Lula, então presidente, lia a notícia de que as intenções de voto a ele começavam a cair.  O petista tinha 44% e ainda vencia no primeiro turno, o que acabou não ocorrendo. Teve segundo turno na sua reeleição. O adversário Geraldo Alckmin comemorava melhora. Aparecia com 27%. Mas o tucano reconhecia um problema no cenário de 2006: os votos no Nordeste. A pesquisa mais recente do DataFolha para 2018 dá 7% para o tucano. No Nordeste, menos ainda: 2%.  Já o petista, mesmo preso e com a Lei da Ficha Limpa a travar sua candidatura, ainda domina. Aparece com 49%.

Fonte: O GLOBO

 

Lula ’só tem chance de sair da cadeia se a gente assumir o poder’, diz Ciro

Ao programa Resenha, da TV Difusora, no Maranhão, candidato do PDT diz que, se eleito, vai ‘botar juiz para voltar para a caixinha dele, botar o Ministério Público para voltar para a caixinha’

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

Em entrevista concedida ao programa Resenha, da TV Difusora, no Maranhão, no dia 16 deste mês, o candidato do PDT à Presidência da República nas eleições 2018, Ciro Gomes, afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato, só teria chance de sair da cadeia se ele (Ciro) fosse eleito.

“Só tem chance de sair da cadeia se a gente assumir o poder e organizar a carga. Botar juiz para voltar para a caixinha dele, botar o Ministério Público para voltar para a caixinha dele e restaurar a autoridade do poder político”, afirmou Ciro.

A frase foi dita no contexto de uma resposta ao jornalista Itevaldo Júnior em que o pedetista tentava explicar a estratégia do PT em insistir na candidatura de Lula — mesmo após a condenação em segunda instância da Justiça e prisão. “Estão cansados de saber que eles não vão deixar o Lula ser candidato, pela Lei da Ficha Limpa que o próprio Lula botou pra valer (…)”.

Na resposta, Ciro descreve aquilo que o PT estaria pensando: “Nós vamos manter a candidatura do Lula, continuar dizendo que ele é candidato, e lá pelo meio de setembro, que a Justiça disser que o Lula não é candidato, o Lula então diria assim: ‘Então se não vão deixar eu vai ser fulano.’”

O pedetista também afirmou que o Brasil “não aguenta um presidente por procuração a uma altura dessas” – referindo-se a um presidenciável que fosse escolhido por Lula.

“Eu gosto muito do Lula, mas só porque gosto muito, ele vai apontar outra Dilma (Rousseff). “O Brasil está em um momento  muito difícil, precisando de pulso, liderança, autoridade até para corrigir a carga…”

Ao se referir à “carga”, Ciro diz:  “Você imagina se com um cabra desse do outro lado (candidatos do campo da direita),  o Lula tem alguma chance de sair da cadeia”. Para continuar dizendo que o ex-presidente  só teria chance de sair da prisão se  ele (Ciro) assumisse  o poder.

Ao se referir aos possíveis nomes impostos pelo PT, no caso de Lula não ser candidato, Ciro afirma: “Com uma tragédia só resta eu  – porque ninguém inventa de um dia para a noite. Se inventa, mesmo dando certo acaba dando errado.”

Estadão