A “viagem” da prefeita

O QUE EUCLIDES DA CUNHA TEM A VER COM CHICAGO E WASHINGTON? NADA!

Por: Ismael Abreu -Presidente da FACE

Estive em Chicago por três vezes, quando trabalhava numa empresa internacional de auditoria, a qual tinha sua sede naquela cidade.

Também tive a oportunidade de conhecer a capital dos Estados Unidos, Washington-DC, a passeio, durante um período de férias.

Quando soube que a prefeita deixou Euclides da Cunha por sete dias para visitar essas duas metrópoles americana com o objetivo de participar de um programa de verificação das experiências bem sucedidas na administração dessas cidades, pensei: A prefeita só pode está mesmo é “viajando”. Pois, o que Euclides da Cunha tem a ver com Chicago e Washington? Nada! São situações extremamente diferentes (O termo “viajando” é uma gíria muito utilizada pelos jovens quando quer dizer que uma pessoa está fora da realidade, sonhando).

Chicago é a terceira maior cidade dos Estados Unidos. Está localizada no Estado Illinois, às margens do Lago Michigan, que fica congelado durante o inverno rigoroso (tudo a haver com o sertão nordestino). Sua população é de aproximadamente três milhões de habitantes (contra 55 mil de Euclides da Cunha), com mais de nove milhões de habitantes em sua região metropolitana. Dada a sua posição central no mapa americano, Chicago se constitui num forte pólo comercial, industrial, rodoviário e portuário (alguma semelhança com o nosso município?). Chicago é um dos maiores centros empresariais do mundo, com seu centro nitidamente dominado por altíssimos arranha-céus. É uma das cidades mais influente no cenário mundial.

Washington, DC é a capital dos Estados Unidos (é a nossa Brasília). DC é a abreviatura de Distrito de Colúmbia, onde a cidade está localizada.

Washington está situado no leste do país na margem norte do Rio Potomac. A população da cidade propriamente dita é de 563 mil habitantes, enquanto que sua região metropolitana possui cerca de 4,7 milhões de habitantes. Washington abriga as sedes dos três braços do governo americano, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Além disso, a cidade abriga também as sedes do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial, da Organização dos Estados Americanos, entre diversas outras instituições nacionais e internacionais. Washington, além de ser um dos mais importantes centros políticos do mundo, é também um pólo turístico, e educacional. Dentre seus monumentos e atrações, encontram-se a Casa Branca (residência do Presidente dos Estados Unidos), o Capitólio (sede do Congresso), a Biblioteca do Congresso, o Monumento de Washington, e o Memorial de Lincoln. Universidades renomadas como a Universidade George Washington, Universidade Georgetown e a Universidade Americana tem seus campus localizados na cidade (alguma semelhança com os problemas de Euclides da Cunha?).

Essa viagem da prefeita poderia ser comparada a uma situação em que um humilde agricultor da Carnaíba, que sequer tem instalações sanitárias e água encanada na sua residência fosse convidado pelo Presidente Lula para passar sete dias no Palácio da Alvorada, em Brasília, para ver como ele vive e aprender como administrar sua residência. Lá ele vai encontrar um forte esquema de segurança protegendo o Palácio, diversos empregados para cuidar da piscina, do jardim, da limpeza e várias pessoas para atendê-lo (governança, cozinheiros, garçons, faxineiros, motoristas, etc.). Também terá a oportunidade de conhecer o avião do Presidente, utilizado para suas viagens (no sentido correto) no país e no exterior. Certamente, para aquele agricultor da Carnaíba, serão dias inesquecíveis ao conviver com tanto luxo e mordomias. Ele poderá trazer ótimas lembranças dos passeios pelos jardins do palácio, dos jantares maravilhosos, das dormidas em quartos lindíssimos e se for muito vaidoso, trará muitas fotos para mostrar aos amigos. E só! Nenhuma das experiências por ele vividas poderá ser aplicável a sua humilde realidade.

Nada contra que a prefeita aproveite dos benefícios que seu partido (DEM) queira propiciar a seus afiliados, afinal todos nós merecemos momentos de descanso e lazer. Agora, dizer que essa “viagem” trará algum beneficio concreto para o nosso município, sinceramente, não acredito. Isso seria insultar nossa inteligência.

Espero estar enganado nas minhas afirmações. Mas isso será possível aferir. Basta que a Câmara de Vereadores do município, que deu permissão para essa viagem, sem descontar os dias não trabalhados da prefeita, convoque-a no seu retorno para relatar as experiências adquiridas durante esses sete dias de viagem, detalhando como as mesmas serão utilizadas no nosso município.

Pessoalmente entendo que se o propósito é buscar referencias de administração para aplicá-las no nosso município, poderíamos obtê-las aqui mesmo no Brasil, especificamente, aqui na Bahia, talvez até em Monte Santo, município cuja sede está a 38 km da nossa, convive com os mesmos problemas e o seu prefeito, reeleito com folgada margem de votos, vem dando um show de administração. Vamos “cair na real”. Não precisamos de “fachadas” ou ilusões (olha a gíria aí novamente). O que precisamos é de atitude e soluções.
Vamos então aguardar o retorno da prefeita…

 

Comente esta matéria